terça-feira, 9 de setembro de 2008

“Há Festa na Cidade” por António Carmona Rodrigues

Há Festa na Cidade!
As Festas da Cidade de Lisboa decorreram ao longo do mês de Junho, como tem sido hábito. Mas a edição deste ano não ficou isenta de algumas grandes trapalhadas, tais como as peripécias e o atraso no arranque da Feira do Livro, ou ainda a iniciativa desta maioria PS/BE de ter aprovado uma proposta visando reduzir drasticamente os apoios às colectividades para os arraiais populares, maioria essa que, felizmente, deu uma volta atrás e voltou a dar os apoios iguais aos do ano anterior.
Pese embora o programa autárquico do PS para as intercalares incluir expressamente uma medida visando “repudiar qualquer aproveitamento do espaço público para fins comerciais”, tem-se assistido a diversos exemplos de como se promete uma coisa e se faz outra. Escandaloso exemplo foi o da Praça das Flores, com a campanha dos automóveis Skoda! Mas outros foram igualmente chocantes, como a pindérica campanha de iluminação do Natal de 2007 patrocinada pelo banco espanhol Santander. Nas Festas da Cidade deste ano espalharam-se bandeiras de diversos patrocinadores por vários locais da cidade: Restauradores, Av. da Liberdade, Marquês de Pombal, alto do Parque Eduardo VII, Praça de Espanha, etc.
Pessoalmente, não acho mal que certas empresas privadas se possam associar às Festas da Cidade, patrocinando-as em troca de publicidade no espaço público. O que é já difícil de entender é por que é que as Festas da Cidade terminaram há mais de dois meses e a publicidade continua espalhada pela cidade, com a referência do apoio às festas!
Será que alguém se esqueceu de retirar a publicidade? Será que as Festas da Cidade se prolongaram e ninguém deu por nada? Será que as contrapartidas de publicidade diziam respeito a um período de tempo que ia para além das Festas? Ou será que isto é um prenúncio do que vão ser umas verdadeiras Festas neste ano eleitoral? Para quem levantou a bandeira do rigor, estas bandeiras não ficam nada bem na fotografia.

8 de Setembro de 2008

António Carmona Rodrigues

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Comunicado de Imprensa sobre Desmonte da Passagem Superior Pedonal de Alcântara

É com enorme agrado que os Vereadores do Movimento “Lisboa com Carmona” assistem às obras que se encontram em curso em Alcântara e que visam a retirada da passagem superior pedonal.
Esta iniciativa remonta a Dezembro de 2006, altura em que o anterior Executivo considerou que seria adequado concretizar a curto prazo a acção de desmonte da passagem visando a requalificação do ambiente urbano local e prevendo a execução de arranjo exterior de superfície que ampliasse o conforto e a segurança pedonal deste importante percurso.
Esta passadeira foi construída nos anos noventa para assegurar as ligações pedonais entre as estações de Alcântara-Terra e Alcântara-Mar. Contudo, encontrava-se em avançado estado de degradação e abandono, situação que em nada contribuía para a dignificação do local em termos estéticos e de segurança dos utilizadores. Para além disso, o elevado investimento realizado nunca conseguiu atingir plenamente o objectivo de melhoria das condições de mobilidade dos utilizadores de transportes públicos, podendo mesmo dizer-se que se está perante uma iniciativa que foi um verdadeiro fiasco.
Com os trabalhos de elaboração do Plano de Pormenor de Alcântara depressa se verificou que as soluções encontradas não contemplavam a manutenção desta passadeira pelo que se entendeu desde logo da importância da sua retirada a curto prazo.
Foram desencadeados contactos com a REFER que se mostrou, desde logo, a primeira interessada tendo, em 8 de Janeiro de 2007, submetido à apreciação dos Serviços da Câmara um procedimento administrativo para licenciamento da respectiva obra de demolição.
Os atrasos na conclusão desse procedimento prenderam-se com a apreciação dos serviços municipais, nomeadamente do Departamento de Património Imobiliário cuja emissão de parecer foi protelada por situações inconclusivas acerca da titularidade dos terrenos onde assenta a referida passadeira.
Já no início do mandato da actual coligação PS/BE, o Movimento “Lisboa com Carmona” apresentou uma proposta à Câmara com vista à emissão do referido parecer pelo Departamento de Património Imobiliário com carácter de urgência ou ao estabelecimento de uma outra solução que suportasse a decisão do Executivo com vista ao desmonte da referida passagem.
Presentemente confrontamo-nos no terreno com o desmonte da passadeira, sem que a este grupo de vereadores tenha sido dada qualquer informação sobre o desenvolvimento do processo, nem se conheçam as soluções encontradas para o tratamento da superfície que irá futuramente suportar os percursos pedonais das ligações entre Alcântara Terra e Alcântara Mar.
Pese embora estes factores, não podemos deixar de dar nota positiva a esta intervenção que corresponde tão só ao concretizar de uma iniciativa que visa a requalificação urbana desta zona da cidade e amplia o conforto e a segurança pedonal deste importante percurso.

5 de Setembro de 2008

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Desmonte da Passagem Superior de Alcântara

É com enorme agrado que os Vereadores do Movimento “Lisboa com Carmona” assistem às obras que se encontram em curso em Alcântara e que visam a retirada da passagem superior pedonal.
Esta iniciativa remonta a Dezembro de 2006, altura em que o anterior Executivo considerou que seria adequado concretizar a curto prazo a acção de desmonte da passagem visando a requalificação do ambiente urbano local e prevendo a execução de arranjo exterior de superfície que ampliasse o conforto e a segurança pedonal deste importante percurso.
Esta passadeira foi construída nos anos noventa para assegurar as ligações pedonais entre as estações de Alcântara-Terra e Alcântara-Mar. Contudo, encontrava-se em avançado estado de degradação e abandono, situação que em nada contribuía para a dignificação do local em termos estéticos e de segurança dos utilizadores. Para além disso, o elevado investimento realizado nunca conseguiu atingir plenamente o objectivo de melhoria das condições de mobilidade dos utilizadores de transportes públicos, podendo mesmo dizer-se que se está perante uma iniciativa que foi um verdadeiro fiasco.
Com os trabalhos de elaboração do Plano de Pormenor de Alcântara depressa se verificou que as soluções encontradas não contemplavam a manutenção desta passadeira pelo que se entendeu desde logo da importância da sua retirada a curto prazo.
Foram desencadeados contactos com a REFER que se mostrou, desde logo, a primeira interessada tendo, em 8 de Janeiro de 2007, submetido à apreciação dos Serviços da Câmara um procedimento administrativo para licenciamento da respectiva obra de demolição.
Os atrasos na conclusão desse procedimento prenderam-se com a apreciação dos serviços municipais, nomeadamente do Departamento de Património Imobiliário cuja emissão de parecer foi protelada por situações inconclusivas acerca da titularidade dos terrenos onde assenta a referida passadeira.
Já no início do mandato da actual coligação PS/BE, o Movimento “Lisboa com Carmona” apresentou uma proposta à Câmara com vista à emissão do referido parecer pelo Departamento de Património Imobiliário com carácter de urgência ou ao estabelecimento de uma outra solução que suportasse a decisão do Executivo com vista ao desmonte da referida passagem.
Presentemente confrontamo-nos no terreno com o desmonte da passadeira, sem que a este grupo de vereadores tenha sido dada qualquer informação sobre o desenvolvimento do processo, nem se conheçam as soluções encontradas para o tratamento da superfície que irá futuramente suportar os percursos pedonais das ligações entre Alcântara Terra e Alcântara Mar.
Pese embora estes factores, não podemos deixar de dar nota positiva a esta intervenção que corresponde tão só ao concretizar de uma iniciativa que visa a requalificação urbana desta zona da cidade e amplia o conforto e a segurança pedonal deste importante percurso.


António Carmona Rodrigues, Setembro 2008

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Simone de Oliveira

Quero que Lisboa o escolha
pela sua sinceridade
por saber pisar as pedras
desta tão velha cidade.
A cidade do seu Fado
do Fado de todos nós
conte comigo Carmona
Comigo, e com a minha voz!

Simone de Oliveira, Julho 2007

sábado, 2 de agosto de 2008

Carmona Rodrigues em Entrevista ao Jornal "Expresso"

Carmona Rodrigues: "Tudo é apresentado de forma doce e cor-de-rosa"
O antigo presidente da autarquia diz que muitos projectos do seu tempo, que estão correctos, estão a ser mudados sem necessidade.


Paulo Paixão . 9:00 Sábado, 2 de Ago de 2008

1. O que foi feito de melhor neste ano de mandato?
Seguramente, foi António Costa ter conseguido apaziguar a imprensa. Não quer dizer que as coisas tenham mudado, mas tudo é apresentado de forma doce e cor-de-rosa. O Executivo consegue transmitir uma sensação de tranquilidade e de estabilidade, e a oposição não consegue, de forma tão eficaz, denunciar situações estranhas, que continuam a ocorrer.
Não digo isto, como anterior presidente, com um tom de cinismo ou de inveja. Friamente, a realidade é assim. Sabem-se menos coisas e só se anunciam as coisas boas. É como se não houvesse problemas de dívidas, como se tudo estivesse num mar de rosas. Ora isto não cria a instabilidade que havia antes.

2. O que foi feito ou aconteceu de pior?

Há coisas de maior magnitude e menor intensidade, e outras de menor magnitude e maior intensidade. Uma coisa que em tamanho absoluto não é muito grande prende-se com uma medida eleitoral do PS, que dizia repudiar a ocupação dos espaços públicos da cidade por campanhas comerciais. Acontece que tivémos a Praça das Flores ocupada por um marca de automóveis e o Marquês de Pombal ainda está cheio de bandeiras da Sagres. Estas situações, de grande intensidade, são sintomáticas da mentira e do logro cometidos.
Outra coisa muito negativa que aconteceu (esta de maior magnitude e de menor intensidade) refere-se à situação financeira. Há um ano, era ruína, a bancarrota. O dr. António Costa, que foi o pai da Lei das Finanças Locais, quis fazer aprovar um empréstimo. Mas o pedido e o plano de saneamento financeiro foram arrasados pelo Tribunal de Contas. O Presidente da Câmara disse que se tratava de um caso de vida ou de morte. Mas o empréstimo foi chumbado e não sei quais as ilacções que ele tirou até ao momento.
Este processo parece-me um grande logro e uma grande derrota de António Costa. Eu sempre disse que a situação financeira da Câmara não era o cenário catastrófico que foi traçado. Mas a forma como o PS geriu o processo é o grande 'flop' deste primeiro ano de mandato. Por outro lado, algumas das negociações que estão agora a ser encetadas com fornecedores - cessão de crédito ou 'factoring' -, são diligências que eu tentei efectuar enquanto presidente de Câmara, mas que me foram vedadas pelo Governo.
Mas há outros pontos que correram mal, como o negócio do Instituto Português de Oncologia (IPO) e do aeroporto. No caso do IPO, parece que estamos a pagar, oferecendo terrenos, o que é um precedente gravíssimo, para o Instituto ficar em Lisboa (sendo que ele já cá está). E temos de estar atentos, para saber o que acontecerá aos terenos onde se encontra o IPO, pois a Praça de Espanha é uma zona central da cidade, muito valiosa. No caso do aeroporto, parece que pagamos para que ele saia de Lisboa.


3. O que poderia ou deveria ter sido feito?

Deveria ter sido dada continuidade a muita coisa, a muitos projectos já aprovados ou bastante avançados na sua elaboração. Estes foram mudados apenas para o Executivo deixar o seu selo. Posso dar exemplos: o Plano de Alcântara, o Plano da Praça de Espanha, da Baixa Pombalina ou do Campus de Campolide. A actual maioria faz questão de revogar o que estávamos a fazer, apenas para ser ela a colocar o sinete. Não lhes teria ficado mal um pouco de modéstia, reconhecendo que há coisas que vêm de trás que estavam correctas.
Há uma situação que ilustra tudo o que referi. O vereador Manuel Salgado fez parte do comissariado da Baixa-Chiado. Antes, enquanto arquitecto e comissário, defendia a elaboração para a Baixa de um regulamento. Hoje, como vereador, defende outro instrumento, que são as 'medidas preventivas' (aprovadas no dia 30 de Julho).Outra coisa que deveria ter sido feita é a continuidade de uma prática saudável que sempre existiu em Lisboa, e que agora foi descontinuada. No passado nunca aconteceu o não agendamento de uma proposta da oposição - e isso tem-se registado agora, o que é inaceitável do ponto de vista democrático. Deveria ter-se mantido essa tradição da Câmara, que vinha desde o 25 de Abril.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Direito de Resposta ao Jornal Público sobre IPO

Exmo. Senhor
Director do jornal O Público,
Dr. José Manuel Fernandes

Lisboa, 30 de Julho de 2008.

Na sequência da publicação no jornal O Público da passada terça-feira, dia 29 de Julho de 2008, de um artigo intitulado “Instituto Português de Oncologia – IPO vai manter-se no concelho de Lisboa”, da autoria da jornalista Ana Nunes, e a propósito de referências que aí são feitas às posições que terei assumido enquanto Presidente da Câmara Municipal de Lisboa relativamente a este assunto, venho junto de V.Exa., ao abrigo do direito de resposta, previsto nos artigos 24º a 26º da Lei nº 2/99, de 13 de Janeiro, solicitar a publicação, com o mesmo relevo e apresentação do escrito que motiva a presente, do seguinte:
Por diversas vezes ao longo dos últimos anos foram publicadas notícias no jornal O Público, relacionadas comigo ou com as minhas actividades na Câmara de Lisboa, cujo teor padece frequentemente, parcial ou totalmente, de rigor e/ou de verdade.Nunca me dirigi ao jornal que V.Exa. dirige no sentido de utilizar o direito de resposta que me assistia, mas faço-o desta vez porque, como se costuma dizer, “uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade”.
O assunto é o IPO de Lisboa e o artigo assinado por Ana Nunes na edição de 29 de Julho, onde se diz que eu “…levantara a hipótese de transferir a unidade hospitalar para Oeiras”.
Sem querer alongar-me no assunto, convém recordar algumas questões essenciais.
Lisboa tem, hoje, um IPO. O actual Governo inscreveu em Orçamento de Estado, no início desta legislatura, verbas para remodelação do IPO em Sete Rios. Posteriormente, em reunião havida com o então Ministro da Saúde, foi-me transmitida a vontade do Governo em encontrar um espaço novo, em Lisboa, onde se pudesse construir um novo IPO, numa área una e total de 7 ha. Determinei de imediato aos serviços competentes da Câmara para me identificarem locais possíveis, tendo-me sido respondido que só haveria terrenos disponíveis com essa dimensão se fossem alterados os respectivos ónus ou usos consagrados no Plano Director Municipal. Eu, pessoalmente, sempre afirmei a vontade de que o IPO permanecesse em Lisboa. Tal comuniquei ao Sr. Ministro, reafirmando a minha vontade em tentar encontrar uma solução. Mas também sempre disse que nunca tinha encontrado uma justificação fundamentada dada pelo actual Governo para a necessidade de mudar o IPO de Sete Rios, após ele próprio ter previsto verbas para remodelação do equipamento actual.
Os tempos passaram, e a Câmara “encontrou” um terreno no parque da Belavista Sul. Já não são precisos 7 ha, agora são necessários 12 ha (120 000 m2), e não 29.000 m2 como é referido no artigo. Que a CML irá oferecer gratuitamente ao Governo, pesem embora as “dificuldades financeiras”. Parte significativa deste terreno está ocupada com um belo parque verde, pago com verbas da Câmara, que está infraestruturado com caminhos, vegetação diversa, iluminação, equipamento infantil, miradouro, rede de drenagem, equipamento diverso de apoio, etc. Outra parte deste terreno estava em estudo para a nova Feira Popular de Lisboa. Protocolou-se agora com o Governo a intenção de levar este projecto do IPO por diante. Não se conhece o que as diversas entidades de saúde acham sobre esta nova localização. Não se sabe o que se pretende fazer com os terrenos de Sete Rios, receando-se pura especulação imobiliária. Sabe-se que os festivais de música terão de desaparecer do parque da Belavista após a construção do novo IPO. Sabe-se que este parque da Belavista vai ficar com a sua área verde fortemente reduzida. Sabe-se que se atirou dinheiro à rua ao pagar as obras de construção do parque. Sabe-se que não se vai receber um tostão do Governo pelos 12 ha de terreno municipal. E sabe-se também que o actual executivo da Câmara acha que é muito importante o IPO ficar em Lisboa (como eu também acho). Mas que não se importa que o aeroporto saia de Lisboa, ou que o edifício que acolhe a administração do maior banco privado português mude também da Baixa para fora de Lisboa.

Com os melhores cumprimentos,
António Carmona Rodrigues

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Voto de Pesar pelo falecimento de Fernanda Batista

Voto de Pesar n.º 11/2008 (Aprovado por unanimidade)

Por proposta dos Vereadores do Movimento “Lisboa com Carmona”, a Câmara Municipal de Lisboa, aprovou por unanimidade um Voto de Pesar em homenagem a Fernanda Batista.
Fernanda Batista, nasceu em Lisboa no dia 7 de Maio de 1920.
A sua paixão pela música e pelo teatro sempre foi visível desde criança, quando entrava em peças infantis.
Tinha a profissão de modista, que veio a abandonar para se dedicar de corpo e alma ao fado.
Estreou-se no Café Luso, no inicio dos anos quarenta, e a sua estreia profissional no teatro aconteceu em 1945, na Revista “Banhos de Sol”.
Actuou no Brasil, Angola, Argentina e Estados Unidos.
Ao longo de 56 anos de palcos, participou em mais de 45 espectáculos de revista.
Mais recentemente, integrou o elenco do musical de Filipe la Feria “ A Canção de Lisboa”, e em 2003 foi condecorada pelo Presidente da República com a Ordem de Mérito.
A sua morte constitui uma enorme perda para a cidade de Lisboa, que vê desaparecer uma das intérpretes mais representativas da sua cultura tradicional nos domínios do fado e do teatro de revista.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Túnel do Rego - Tribunal de Contas

Esclarecimento àcerca da notícia veiculada em diversos órgãos de comunicação social, dando conta de que o ex-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Carmona Rodrigues e os restantes Vereadores do anterior executivo municipal responsáveis pela aprovação do projecto do Túnel do Rego, foram multados pelo Tribunal de Contas.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Lisboa ocupa o 57º lugar no ranking mundial do custo de vida

in: http://www.mercer.pt/

A edição de 2008 do estudo anual “Worldwide Cost of Living Survey” da Mercer revela que Lisboa ocupa o 57º lugar no ranking mundial de custo de vida, com 86,8 pontos. Em Março de 2007, Lisboa ocupava o 73º lugar do ranking e em 2006 a 88ª posição. A subida no ranking da capital portuguesa e de outras cidades europeias não se deve apenas ao aumento real do custo de vida, mas também à forte desvalorização do dólar face ao euro.
Este estudo da Mercer cobre 143 cidades em seis continentes e mede o custo comparativo de 202 produtos representativos dos padrões de consumo dos executivos, incluindo habitação, transportes, alimentação, vestuário, bens domésticos e entretenimento. Trata-se do estudo de custo de vida mais abrangente a nível mundial e tem por objectivo ajudar os governos e as empresas multinacionais a determinarem as compensações a atribuir nos processos de transferência de empregados para projectos internacionais. As cidades são classificadas face a Nova Iorque, à qual foi atribuída uma pontuação base de índice 100.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Lisboa com Carmona contra cedência da Casa dos Bicos

Casa dos Bicos acolherá Fundação José Saramago
in Expresso online, quarta-feira, 16 de Julho de 2008

A Câmara de Lisboa aprovou hoje em reunião do executivo municipal a cedência da Casa dos Bicos para a instalação da Fundação José Saramago, que acolherá a biblioteca do autor prémio Nobel da Literatura.
A cedência foi aprovada com os votos contra do movimento Lisboa com Carmona e do PSD e dos votos favoráveis do PS, Cidadãos por Lisboa, PCP e BE.
O protocolo entre a autarquia lisboeta e a fundação será assinado quinta-feira às 15h30, no salão nobre dos Paços do Concelho, com a presença de José Saramago.
A discussão foi animada, com o presidente, António Costa (PS), a atribuir à “mesquinhez da direita portuguesa” as questões que o PSD colocou sobre o custo das obras de adaptação da Casa dos Bicos à nova finalidade e a necessidade de a proposta ser ratificada pela Assembleia Municipal.
A vereadora do PSD Margarida Saavedra alegou que a proposta pecava por uma “enorme leveza”, nomeadamente por não contemplar os custos das obras de adaptação que a autarquia irá realizar.
“Entendemos que esta proposta deve ser submetida a autorização da Assembleia Municipal”, objectou igualmente a vereadora social-democrata, referindo que o voto dos deputados municipais é necessário porque a cedência está prevista para dez anos, sendo renovável ao fim desse período.
A vereadora social-democrata negou qualquer objecção à figura de José Saramago, sublinhando que também leu a sua obra, e justificou o voto contra com os esclarecimentos que, considerou, não lhe foram prestados.
António Costa respondeu que “a lei é clara” e que, depois de consultado o Departamento de Património Imobiliário, corroborou a sua interpretação de que “a cedência precária é uma competência da Câmara”.
“Não estamos disponíveis que a Câmara abdique das suas competências só porque dá jeito ao PSD”, afirmou, numa referência à maioria absoluta que os sociais-democratas têm naquele órgão autárquico e que poderiam mobilizar num veto à proposta.
O vereador comunista Ruben de Carvalho ainda recomendou o maior “rigor” nesta questão, para que a proposta não ficasse ferida de um problema jurídico, mas António Costa reiterou que a autorização da Assembleia Municipal não é necessária neste caso.
Questionado pelos jornalistas sobre os custos das obras de adaptação do edifício à nova finalidade, o presidente da Câmara referiu que serão “diminutos”, referindo que só a “mesquinhez da direita portuguesa que nunca perdoou a José Saramago ter recebido o Prémio Nobel” pode justificar as objecções levantadas.
António Costa referiu, igualmente, que as obras de requalificação da Casa dos Bicos, independentemente do uso que o edifício tivesse, já tinham sido objecto de uma candidatura às contrapartidas anuais do Casino de Lisboa.
O projecto vai ser elaborado em consonância com a fundação e, se o implicar, será submetido a parecer do Instituto de Gestão do Património Arqueológico e Arquitectónico (IGESPAR), acrescentou.
O vereador e ex-presidente da Câmara Carmona Rodrigues alegou nada ter contra “nem a personalidade, nem a iniciativa”, mas a cedência do edifício quinhentista património nacional situado no Campo das Cebolas, onde actualmente funcionam serviços da Divisão de Cultura.O vereador do movimento Lisboa com Carmona José Manuel Ramos considerou que “a Câmara de Lisboa está a ceder os bifes do lombo”, referindo-se ao valor patrimonial do edifício, “quando podia ceder os bifes da vazia ou da alcatra”.
Também o vereador do movimento de Carmona Rodrigues Pedro Feist considerou “desajustado” um monumento nacional acolher a fundação e afirmou “não se conhecer actividade da Fundação José Saramago”, criada em 2007.
A vereadora do movimento Cidadãos por Lisboa Manuela Júdice, que não quis participar na votação devido à amizade que a une ao escritor, respondeu que a fundação além da exposição “A consistência dos sonhos”, que se encontra patente no Palácio da Ajuda, já realizou concertos no Cinema São Jorge e colóquios na Biblioteca Nacional.
Manuela Júdice congratulou-se, por outro lado, pelo facto de “a Casa dos Bicos deixar de ser um edifício de escritórios”, uma posição que foi igualmente assumida pelo presidente da Câmara.“A Casa dos Bicos podia ser 30 mil coisas, mas a única coisa que tem sido é a instalação de serviços da Câmara. Uma Câmara que se serve da Casa dos Bicos para alojar serviços municipais é a uma Câmara que gere mal o seu património”, argumentou António Costa.
O vereador do Bloco de Esquerda José Sá Fernandes considerou que face às referências aos locais da capital em obras de Saramago como o “Cerco a Lisboa” e “Memorial do Convento”, faz todo o sentido que seja aquele edifício a acolher a instituição.
Sá Fernandes destacou ainda a importância da fundação ficar sedeada em Lisboa quando existia a possibilidade de ficar em Espanha, onde o autor reside. O vereador frisou, contudo, considerar que deveria ser o Ministério da Cultura a pagar as obras de adaptação da Casa dos Bicos.
A Casa dos Bicos vai albergar a biblioteca do Prémio Nobel da Literatura, composta por vários milhares de exemplares, e disporá de uma loja, espaço para exposições e colóquios.
O edifício, situado no Campo das Cebolas, construído em 1523 por D. Brás de Albuquerque, acolhe actualmente serviços do departamento de Cultura da Câmara.
A fundação fica encarregue das despesas de funcionamento e responsável por manter as instalações em boas condições.